Get Adobe Flash player
Google
web neste site


Dependência Química

As drogas acionam o sistema de recompensa do cérebro, uma área encarregada de receber estímulos de prazer e transmitir essa sensação para o corpo todo. Isso vale para todos os tipos de prazer (temperatura agradável, emoção gratificante, alimentação, sexo) e desempenha função importante para a preservação da espécie.

Evolutivamente o homem criou essa área de recompensa e é nela que as drogas interferem. Por uma espécie de curto circuito, elas provocam uma ilusão química de prazer que induz a pessoa a repetir seu uso compulsivamente. Com a repetição do consumo, perdem o significado todas as fontes naturais de prazer e só interessa o prazer imediato propiciado pela droga, mesmo que isso comprometa e ameace sua vida.

Vários são os motivos que levam à dependência química, mas o final é sempre o mesmo. De alguma maneira, as drogas pervertem o sistema de recompensa. A pessoa passa a dar-lhes preferência quase absoluta, mesmo que isso atrapalhe todo o resto em sua vida. Para quem está de fora fica difícil entender por que o usuário de cocaína ou de crack, com a saúde deteriorada, não abandona a droga. Tal comportamento reflete uma disfunção do cérebro. A atenção do dependente se volta para o prazer imediato propiciado pelo uso da droga, fazendo com que percam significado todas as outras fontes de prazer.

À medida que os usuários se submetem aos intensos efeitos das drogas, vão se psicoadaptando a eles e, vão perdendo o prazer pelos pequenos estímulos da vida diária. Com o decorrer do tempo eles se tornam infelizes, com grande dificuldade de sentir prazer. Isso desencadeia o uso cada vez mais constante, e como o organismo vai criando tolerância, são necessárias doses cada vez maiores para conseguir o mesmo efeito.

Os usuários de drogas, se comportam como se fossem super homens, pois não medem esforços para conseguirem sua droga de preferência, até mesmo colocando suas vidas em risco para consegui-la. Mas no fundo são pessoas muito frágeis, pois não suportam qualquer tipo de sofrimento. A dor emocional  é insuportável para eles, por isso buscam uma nova dose da droga para aliviá-la.

No início usa para sentir prazer, mas quando a dependência se instala o uso é para aliviar a dor.

Por isso muito usuários usam drogas como tranquilizantes e antidepressivos, quanto mais se envolvem nesse círculo vicioso mais se deprimem. Quanto mais fogem da solidão, mais se isolam de tudo e de todos.

Como o efeito das drogas principalmente os efeitos "positivos" ficam registrado na memória do dependente,  seu cérebro está condicionado a sempre buscar essas sensações de prazer. Por isso o tratamento é tão difícil e muitos tem recaídas após experimentarem até mesmo longos períodos de abstinência. Seu cérebro vai puxar o gatilho para reviver as mesmas sensações, principalmete quando acontecerem situações em que o dependente não conseguir lidar com elas.

Como as drogas agem na região de prazer do cérebro é importante que o dependente ache outras formas de sentir prazer, senão ficará infeliz e voltará ao uso.

Uma doença

A Organização Mundial de Saúde reconhece as dependências químicas como doenças. Uma doença é uma alteração da estrutura e funcionamento normal da pessoa, que lhe seja prejudicial. Por definição, como o diabetes ou a hipertensão, a doença da dependência não é culpa do dependente; o paciente somente pode ser responsabilizado por não querer o tratamento, se for o caso. Exatamente da mesma maneira que poderíamos cobrar o diabético ou o cardíaco de não querer tomar os medicamentos prescritos ou seguir a dieta necessária. Dependência química não é simplesmente "falta de vergonha na cara" ou um problema moral.

Uma doença incurável

O dependente químico, esteja ou não em recuperação, esteja ou não bebendo ou usando outras drogas, sempre foi e sempre será um dependente. Não existe cura para a dependência: nunca o paciente poderá beber ou usar outras drogas de maneira controlada. Assim como o diabetes, não existe cura: sempre será diabético ou dependente.

Existe tratamento

Apesar de nunca mais poder usar álcool ou outras drogas de maneira "social" ou "recreativa", da mesma maneira que um diabético nunca vai poder comer açúcar em quantidade, o dependente, se aceitar e realmente se engajar no tratamento, pode viver muito bem sem a droga e sem as conseqüências da dependência ativa. É importante notar que qualquer avanço em termos de recuperação depende de um real e sincero desejo do paciente: ninguém "trata" o dependente se ele não quiser se tratar.

Afeta toda a família

O convívio com o dependente faz com que os familiares adoeçam emocionalmente, sendo necessário que o familiar também se trate, e, ao mesmo tempo, receba orientações a respeito de como lidar com o dependente, como lidar com seus sentimentos em relação ao dependente, o que fazer, o que não fazer, e sobre como proteger a si e aos demais membros da família de problemas emocionais causados pela doença do dependente.

Muitas vezes, os familiares se assustam quando a gente fala que também eles necessitam de tratamento; ninguém quer ser chamado de doente. No entanto, todos os familiares de dependentes que encontramos durante nossa vida profissional nos relataram pelo menos alguma conseqüência ou problema relacionado à dependência de uma pessoa próxima.

Do nosso ponto de vista, quanto mais tempo o dependente e o familiar levarem para admitir a real necessidade de ajuda, maior tempo sofrerão.

 

Get Adobe Flash player